quarta-feira, 7 de abril de 2010

A saga de Heberton Lopes - postagem especial: dia do Jornalista

Olá, amigos!
Já é madrugada de quinta-feira, 8 de abril de 2010. Tentei chegar mais cedo em casa para postar um texto sobre ontem, o dia do Jornalista. Mas não deu tempo.
Graças a minha pesada rotina de jornalista e estudante de jornalismo, não consegui postar esse texto dentro do dia 7 de abril.

Pois é, você deve estar pensando: mas ele já se julga um jornalista?

E eu respondo com convicção. Sim.

Não porque qualquer um pode ser jornalista, graças ao nosso queridíssimo Gilmar Mendes. Mas porque eu já exerço a profissão com garra. Eu já sinto na pele a tensão de um dead line estourado, as pautas que pipocam nos e-mails, a equipe estressada e o compromisso de disponibilizar a informação para meus públicos dentro do tempo prometido. E além de trabalhar para uma empresa, ainda faço uns freelas de assessoria para complementar a renda e adquirir mais experiência profissional.

Alguns devem pensar (e sei que pensam): esse "muleque", com apenas 21 anos, já se acha o jornalista e ainda fica se gabando. E eu respondo: não estou me achando "o jornalista". Quem acompanhou minha trajetória até aqui, viu o quão duro e tortuoso foi esse caminho.

Aproveitei minha viagem da faculdade até minha casa para pensar e fazer um balanço da minha vida profissional. Cheguei a uma conclusão: eu sou um vencedor! Só de estar quase formando e já atuante na área jornalística, digo mesmo: eu sou um vencedor! Quem diria que eu, que estudei a vida toda em escola pública, oriundo de família simples, morador da região metropolitana, pudesse chegar até aqui?

Quando estava formando o terceiro ano do ensino médio, trabalhava em uma franquia dos Correios e ganhava pouco mais que um salário mínimo. Não tinha a mínima condição de pagar uma faculdade.

Fui fazer o vestibular para jornalismo por fazer. Mas depois que passei, queria começar o curso de qualquer jeito. Meu ex-patrão, Delmo Pires, proprietário da franquia dos Correios, me ajudou e me apoiou. Me emprestou o dinheiro da matrícula e da primeira mensalidade.
Combinei com meu pai que ele me ajudaria com metade da mensalidade e que com o resto eu me virava. O salário que eu recebia não dava para pagar nem as cópias que os professores pediam, além da mensalidade.

Quando entrei na faculdade, percebi que eu já não cabia no atual emprego. Queria algo maior. Arrisquei e fui para uma empresa de telemarketing. Não fiquei nem um mês. Percebi que aquilo não era para mim.

Pouco tempo depois, atuei como entrevistador em uma empresa de pesquisa e marketing. Uma delícia! Muito cansativo, mas era prazeroso e me rendia o suficiente para pagar a faculdade. A desvantagem é que era freela. Houve dias em que não entrou nem um centavo na minha carteira.

Decidi que tinha, pelo menos naquele momento, que trabalhar em um lugar que me oferecesse o mínimo de estabilidade financeira. Fui para uma empresa de informática onde atuei como auxiliar no suporte técnico e atendimento corporativo por um ano. Não tinha nada a ver com a área jornalística, mas eu precisava daquele emprego. Nesse meio tempo adquiri o Fies (financiamento estudantil) por meio da Caixa Econômica Federal.

Até que minha amiga e sócia, Graziella Giannini, que trabalhava como monitora do laboratório de Macintosh da faculdade, me indicou para o cargo dela. Sai da empresa de informática e fui trabalhar no ambiente acadêmico. Simplesmente sensacional. Trabalhar diretamente com alunos de comunicação e ter a oportunidade de assistir a aulas que não constam na minha grade, foi muito enriquecedor. Aprendi muito, fiz vários contatos e pude mostrar minhas capacidades.

Na época em que trabalhava como monitor de Macintosh, tinha muito tempo ocioso. Aproveitei essas lacunas no meu dia para me engajar voluntariamente em alguns projetos da faculdade e para adquirir novas habilidades. O que mais me atraiu foi o da comunicação interna, que desde antes de integrar o corpo de funcionários da instituição, tentei me dedicar para implentar esse tipo de serviço. Depois que comecei a trabalhar para a faculdade, virei referência em coberturas. Todos os gestores e geradores de demanda me acionavam para que eu pudesse registrar os eventos promovidos por eles. E eu achava tudo uma delícia. Tive o apoio das minhas superiores, primeiro a Ana Paula Braga e posteriormente, Nicoli Tassis, que me autorizavam a adequar meus horários para que eu pudesse estar presente nos eventos. Ainda como laboratorista, aprendi a operar o estúdio de rádio e consolidei meus conhecimentos em fotografia.

No final do ano passado, uma surpresa. Fui chamado para integrar a nova estrutura da comunicação interna. Um grande e novo desafio na minha carreira. Gerir uma equipe de estagiários, da mesma faixa etária que eu, que estudam comigo, e fazer a gestão do fluxo de trabalho dentro do setor.Um grande desafio que todos os dias tento superar. Acho que aos poucos estou conseguindo. É tudo muito novo. Já conseguimos implementar dois veículos internos períodicos, o que era sonho há um ano. Nossos públicos já estão ficando acostumados com nossa presença.

O melhor de tudo é já poder atuar na área como jornalista empresarial. Sentir a rotina de quem cuida da imagem das empresas. Me sinto muito mais seguro em cair no mercado de trabalho (na verdade já estou). Aprendi muito, vou aprender mais e vou continuar aqui, postando minhas alegrias e dificuldades do cotidiano dessa maravilhosa profissão.

Abaixo, deixo uma imagem que minhas colegas de trabalho, Fabiana e Dayse, indicaram como a que mais se parece comigo. Será que é mesmo? rs



Cito mais uma vez Gabriel García Marquéz, com o texto que não me canso de ler:

"Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."

Parabéns a todos os jornalistas que trabalham em prol de uma sociedade melhor.