sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Postagem de carnaval - Viagem a São João da Barra - RJ

Tive o prazer de conhecer a maravilhosa São João da Barra, município localizado no litoral norte do Rio de Janeiro. Uma cidade calma, que na maior parte do ano é habitada por aproximadamente 5000 pessoas.
Vou contar um pouco sobre a aventura que meus companheiros de viagem e eu tivemos a caminho das praias sanjoanenses. No total, foram três carros em comboio, sendo o meu com 5 pessoas, o do meu primo Tiago com 4, e uma pick-up com 2 pessoas.
A previsão era sairmos de Belo Horizonte às 3h da madrugada de sábado, porém um problema no radiador do carro do meu primo nos fez pegar estrada às 14h. Tudo certo até então, enchi o tanque do meu carro. A caminho da saída de BH para o Rio pela BR 040, o trânsito caótico de feriado em rodovias me aguardava. O calor estava insuportável e o engarrafamento me fazia trafegar a menos de 30 km/h.
Uma surpresa infeliz me obrigou a fazer uma parada forçada. Quase chegando no Posto Chefão, um motorista me avisa que estava vazando gasolina do meu carro. Desepero total. O que meu preocupou foi o calor e logo pensei que poderia começar um incêndio naquele momento. Estacionei no acostamento e abri a tampa de combustível, a gasolina jorrou para fora do tanque. Vi meu dinheiro escorrendo pelo asfalto. Fechei a tampa e segui alguns quilômetros pois pensei que o excesso já havia sido descartado. Engano meu, antes do quarto quilômetro, o combustível começou a vazar de novo. Minha pintura foi queimada e para não ter um prejuízo maior, parei no Posto Chefão para pedir auxílio. O frentista (muito prestativo por sinal), me orientou a sugar a gasolina para uma garrafa pet. Meu amigo Diogo Renhe, que foi meu co-piloto nas 10 horas de viagem de ida e nas outras 10 de volta, se prontificou a me ajudar e sugou o líquido excedente do meu tanque. Ele até queimou a boca, mas nada sério (muito obrigado Diogo). Dessa forma, pudemos prosseguir viagem.
Fizemos algumas paradas para comer e abastecer. Começou a anoitecer e a tensão no carro era perceptível. Era minha primeira vez dirigindo para tão longe, numa estrada sem iluminação e sem nenhum tipo de assistência. Perto da cidade de Euclidelândia, percebi que meu ponteiro de gasolina já estava na reserva. Fiquei com receio do combustível acabar no meio do nada.
Consegui, aos "trancos e barrancos", levar meu carro até a um posto de gasolina no meio de uma estrada totalmente medonha, no estilo das cidades-fantasma de faroeste americano (pelo menos foi a sensação que tive ao ver aquele cenário). Lá paguei R$ 2,86 pelo litro da gasolina (depois da divisa MG/RJ, essa é a média de preços). Detalhe: a pick-up também já estava quase na reserva e se não fosse abastecida naquela cidade, certamente iria parar em algum lugar isolado.

Abastecidos, prosseguimos nossa cansativa marcha. Meu carro, um singelo Palio 1.0, lotado, subia a serra a menos de 40 km/h, enquanto os outros carros, uma pick-up Corsa 1.6 e um Kadett 2.0, pareciam nem sentir o peso das ladeiras.

Minha família foi totalmente contra o início dessa aventura. O argumento deles era que meu primo Tiago e eu não tinhamos experiência em rodovias. Pois é, não tinhamos mesmo, porque agora temos.

Voltando à viagem, chegamos em São João da Barra por volta de 0h. Com fome, cansados, suados e ansiosos. O amigo do meu primo, Rafael Renhe, ficou responsável pela nossa estadia no quintal de uma pousada. Iríamos acampar atrás do estabelecimento. Porém, quando chegamos, vimos que era impossível dormir lá. Um local aberto e ao lado da rua. Decidimos ir para uma área de camping que é de responsabilidade do governo municipal. Ela fica localizada no Balneário de Atafona. Fomos até lá, e logo na chegada entramos em um local errado. O Kadett atolou. Volto a repetir: com fome, cansados, suados, ansiosos e agora, com um carro atolado na areia. Tentamos empurrar, amarramos cordas na pick-up para tentar puxar, colocamos pedras, fizemos de tudo e nada do carro desatolar. Até que um senhor nos deu a ideia de ir levantando o carro, fazendo força conjunta com a pick-up para tirar o "possante" do meu primo daquele sufoco. Quase 40 minutos depois, conseguimos.

Fomos para a entrada certa do camping e conseguimos montar as barracas. O local é bem estruturado, com banheiros, duchas, pias e amplo estacionamento. A água encanada é de procedência duvidosa, mas sem alternativa, tivemos que tomar banho com ela mesmo. Já eram quase 3h da madrugada quando todos estavam limpos, mas ainda com fome. Decidimos ir até a rua Liberdade, um local movimentado na noite de Grussaí (bairro de São João da Barra), com muitos bares, lanchonetes, restaurantes e feirinhas. Nos alimentamos e voltamos para dormir. No primeiro dia dormi na barraca (pelo menos tentei), mas o calor era infernal. Rolei a noite toda e acordei com o sol "fritando" meus pés.

Nosso primeiro destino em São João da Barra foi a praia que fica em frente ao camping. Águas tranquilas, areia branquinha e muita curtição. Passamos a manhã naquele paraíso e fomos almoçar no restaurante da pousada em que ficaríamos acampados no quintal. Comida barata e muito saborosa. Depois fomos conhecer as praias de Grussaí: lindas, tranquilas e sem muita aglomeração de pessoas. No final da tarde, dançamos ao som de um grande trio elétrico na orla da praia. Sensacional! Carnaval, praia e muita curtição. Após essa maratona, voltamos para o camping para nos aprontarmos para o carnaval do centro de São João da Barra. Mas esbarramos em um pequeno probleminha: a água tinha acabado. Logo depois de estacionarmos os carros, um simpático casal relatou o que aconteceu. O líquido precioso havia acabado por volta das 17h (já eram mais de 20h). Nossos companheiros de acampamento chegaram a fechar a rua mas não adiantou, a água voltou somente na manhã seguinte. A solução foi tomar banho no banheiro do restaurante da pousada. A senhora, que não me recordo o nome, foi muito simpática e prestativa. Cedeu o banheiro gratuitamente e pudemos ficar limpinhos para curtir a tradicional folia de rua sanjoanense.
Nos dirigimos para o centro de São João da Barra, onde as escolas de samba locais estavam se apresentando. Era minha primeira vez em um desfile de uma escola de samba legítima. Uma grande oportunidade que me deixou vislumbrado. A organização, a estética e a grandiosidade dos carros alegóricos me deixaram impressionado.
O que me chamou a atenção em Grussaí é que aquele lugar parece não ter lei. Motociclistas sem capacete, motoristas sem cinto de segurança e pessoas em cima das caçambas das pick-ups. Não vi nenhuma viatura policial na orla das praias nos meus quatro dias de estadia.
Penúltimo dia, um susto: minhas amigas Flávia, Andreza e eu, estavámos na praia de Grussaí curtindo a maré baixa. Eis que surge um grande buraco. Quando a Flávia falou: "aqui não da pé", senti meu coração bater mais forte e meu instinto foi nadar (pelo menos tentar) para a praia. Parecia não chegar, estava perdendo as forças quando finalmente consegui colocar meu pé na areia. O susto foi tão grande que até os salva-vidas estavam me observando e perguntaram se estava tudo bem. Minhas amigas, com muita dificuldade, conseguiram sair da água e depois rimos da situação.
Na noite do último dia fizemos um churrasco na casa do pai dos nossos amigos Bruno, Diogo e Rafael. Ele mora em Grussaí há algum tempo, mas não ficamos na casa dele pois éramos muitos. A coincidência era que meu aniversário era no outro dia. Esperaram dar meia noite e começaram a fazer algumas brincadeiras que me deixaram com muito batom no rosto, ovo no cabelo, cerveja nas roupas, cachaça no fígado e uma excelente história para contar (muito obrigado pessoal, foi simplesmente sensacional).

Nesse último dia, chegamos no camping por volta de 2h30 da madrugada. Acordamos 7h da matina (as meninas, Flávia e Andreza, foram para o carnaval em São João, chegaram 6h30). Arrumamos nossas bagagens e fomos rumo à estrada. Meu carro começou a "vomitar" de novo, e meu dinheiro escorrendo novamente pelo asfalto quente da rodovia, só que dessa vez, em Campos dos Goytacazes. Mesmo ritual, mas a bendita vazou ainda por uns 40km.
A volta foi uma tortura. O calor estava de matar. Todos dormindo no carro e eu muito cansado. Descendo aquelas intermináveis serras que fizeram meus freios esquentar e consequentemente, começaram a falhar. Claro que desci engrenado para segurar o "possante". A rodovia estava em obras e vários trechos operavam com uma faixa, o que nos obrigava esperar o fluxo oposto para depois seguirmos viagem.
Na estrada, principalmente na 040, vi vários acidentes, inclusive com vítimas fatais. Aquilo me deixava tenso pois lembrava a todo momento da minha família pedindo para não ir.
Chegamos em Belo Horizonte por volta de 20h e graças a Papai do Céu, foi tudo certo.
Uma viagem maravilhosa, porém cansativa. Belas paisagens na estrada, curvas intermináveis e serras, serras, muitas serras. Foi sensacional!