domingo, 9 de agosto de 2009

Menores no crime pela necessidade ou pela futilidade?

Por Heberton Lopes

Acabei de assistir ao Repórter Record e fiquei abismado. Hoje o tema do programa jornalístico foi a realidade dos menores infratores. A maioria dos menores entra no mundo do crime graças a futilidades e não necessidades. Tênis da moda, celular de última geração ou simplesmente um “rolê” dentro de um carro do ano. São a essas futilidades as quais me refiro que motivam vários jovens a traficar, roubar e matar. Se os delitos fossem graças à falta de comida, falta de remédios ou algo do tipo, seria "mais aceitável".


A mídia tem uma parcela de culpa pela entrada de alguns jovens no mundo do crime. Não digo isso com simples palavras ao vento. Horas antes da exibição do Repórter Record, a mesma emissora exibiu uma reportagem no programa Domingo Espetacular, a qual apresentava o “mundo” de crianças e adolescentes que começam a preocupar cedo com a vaidade. Na reportagem foi apresentada a história de uma menina de 13 anos que gasta R$ 1500 por mês numa clínica de estética. É revoltante para mim! Imagine o quão revoltante é para um adolescente o qual sua família sobrevive com um salário mínimo. Um adolescente que não tem o tênis da moda, que estuda em escola pública, e que não tem noção do que possa ser uma clínica de estética.


O traficante é bacana: tem uma motoca, um Nike e um celular irado; o adolescente é carente: anda de chinelos e não tem nem telefone fixo em casa. O traficante é bacana: ele gera empregos na boca, paga em dia e ainda rola um barato; o adolescente agora é da facção, anda armado, tem o tênis da moda e o celular irado. Até quando isso vai continuar?


Adianta mostrar a realidade desses menores infratores mas, ao mesmo tempo, indiretamente, incentivá-los a cometer delitos?