sábado, 1 de agosto de 2009

Instalação de loja no Mercado Central gera polêmica - Reportagem produzida em maio/2008 para a disciplina de Redação Jornalística II

O Mercado Central de Belo Horizonte é mais uma vez alvo de críticas da opinião pública. A loja Ricardo Eletro, especializada em eletro-eletrônicos, será instalada em junho, no local onde era o antigo Supermercado Aymoré.
Por Heberton Lopes




A instalação da Ricardo Eletro no Mercado Central está causando reações por parte de lojistas e freqüentadores do tradicional ponto comercial de Belo Horizonte. Os comerciantes temem que a loja possa descaracterizar o espaço, e conseqüentemente afastar os fiéis clientes.

O dono do Supermercado Aymoré, Olímpio Marteleto, não viu outra alternativa a não ser vender a loja, pois seus 90 anos e sua saúde debilitada o impede de prosseguir com as atividades, já que seus filhos não quiseram dar continuidade ao negócio do pai. O Supermercado Aymoré ficou estabelecido 75 anos e segundo o diretor-presidente do Mercado Central, Macoud Patrocínio, foi o amor que sustentou o estabelecimento por todos estes anos, pois, com o surgimento das grandes redes de supermercados, o comércio perdeu grande parte de seu público.

Macoud não acredita que a instalação da Ricardo Eletro irá descaracterizar o local e afirma que as mudanças começaram no do Mercado em 1970, quando surgiu o Ceasa, sacolões e os grandes supermercados, o que praticamente extinguiu o ramo de hortifrutigranjeiros do Mercado. “Nós modernizamos com o tempo e é inevitável que as inovações apareçam. A Drogaria Araújo por exemplo, tem mais de 100 anos de fundação, é mais antiga que o próprio Mercado Central, e para alguns sua instalação no Mercado significa descaracterização”, alerta.

A população reagiu com a notícia da instalação da Ricardo Eletro no Mercado Central. Em dezembro de 2007, circulou na internet e-mails convocando a população para se manifestar contra o que foi colocado como prejudicial à imagem do local. Como confirmado pela diretoria, a loja será instalada e está sendo organizado um movimento de “boicote”, quando os manifestantes prometem que não vão comprar nenhum produto da loja Ricardo Eletro.

O técnico em eletrônica Mauro Chaves freqüenta o Mercado Central quinzenalmente. Segundo ele o que mais atrai são os bares e as lojas de artesanato. Mauro não concorda com a instalação da nova loja, pois acredita que pode haver perde de tradição. “Não podemos deixar que o marketing e interesses financeiros de outros altere a visão de cartão postal tradicional e as características de mercado que temos”, disse Mauro, indignado com a instalação da loja. Para o supervisor técnico Alexandre Silva, a abertura das portas da Ricardo Eletro no Mercado Central pode ser comparada à instalação, por exemplo, da loja na Praça Tiradentes, em Ouro Preto. O que Alexandre teme é que a concorrência possa ser atraída a se estabelecer também no local, o que, futuramente, poderia transformar o Mercado Central em um shopping center.



Ministério Público pede regras claras quanto a instalação da loja

A Ricardo Eletro informou que foi feito um projeto especial para a loja do Mercado Central, que seguirá o mesmo estilo das lojas do local e que visa estabelecer um ponto comercial de produtos eletrônicos, mas sem agredir a imagem tradicional que o Mercado possui. O Ministério Público Estadual quer que sejam estabelecidas regras claras no Mercado Central. O objetivo é evitar a degradação de um dos mais importantes cartões postais da capital mineira. Em janeiro, a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte, a Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais e a Promotoria de Habitação e Urbanismo da RMBH expediram recomendação conjunta à Prefeitura para que não fosse autorizada a instalação da loja Ricardo Eletro dentro do Mercado Central, sem prévia manifestação do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município, tendo em vista que o Mercado é objeto de processo de tombamento e de registro como patrimônio cultural imaterial.
A empresa Ricardo Eletro já estabeleceu contato com o Ministério Público a fim de alcançar uma solução extrajudicial para o problema. A empresa terá que informar detalhadamente quais atividades irá exercer no local.

Hoje a loja da Ricardo Eletro funciona no local e é temática. Usar adornos rústicos foi a forma que a loja encontrou para melhor se adequar ao local.

Foi uma reportagem fácil de fazer porque na época o assunto era a polêmica da vez. A coleta de informações foi tranquila e o acesso ao Macoud e demais fontes foi relativamente fácil.